<T->
           Histria ParaTodos
           Histria -- 1a. srie
           Ensino Fundamental

           Conceio Oliveira 

<F->
Impresso Braille em 3 partes na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, da 1a. edio, So Paulo, 2006 da editora 
Scipione
<F+>

           Segunda Parte

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro 
           RJ -- Brasil
           Tel.: (0xx21) 3478-4400
           Fax: (0xx21) 3478-4444
          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
<P>
          Copyright (C) Maria da 
          Conceio Carneiro Oliveira

          Edio: 
          Solange A. de A. Francisco

          Assessoria pedaggica 
          (colaborao):
          Beatriz Meirelles
          Glaucia Amaral
          Marco Antonio de Oliveira

          ISBN 85-262-5424-3-AL

          Av. Otaviano Alves de 
          Lima, 4.400 6 andar e andar 
          intermedirio ala "B"
          Freguesia do 
          CEP 02909-900 -- 
          So Paulo -- SP
          Caixa Postal 007
          DIVULGAO
          Tel.: (0xx11) 3990-1810

<F->
~,www.scipione.com.br~,
 e-mail: ~,scipione@scipione.~
  com.br~,
<F+>
<P>
                               I
<F->
Sumrio 

Segunda Parte (Continuao 
  da Unidade 2)

3- Famlias! :::::::::::::: 77
Cadeira de balano: 
  Famlia, pra que te
  quero! :::::::::::::::::::: 77
Rota de viagem ::::::::::::: 81
Refletindo e produzindo 
  com Eduarda, Bianca e 
  Tico ::::::::::::::::::::: 84
Direitos da criana e da 
  famlia ::::::::::::::::::: 87
Lugar de criana? :::::::::: 92
Para saber mais :::::::::::: 97
4- Famlias ao longo do
  tempo ::::::::::::::::::::: 98
Cadeira de balano: 
  Um Dia das 
  Mes diferente ::::::::::: 98
Rota de viagem ::::::::::::: 103
Refletindo e produzindo 
  com Eduarda e Bianca :::: 104
Famlias de hoje ::::::::::: 104
Famlias na histria ::::::: 107
Os olhares dos viajantes 
  estrangeiros para a 
  nossa Terra: Debret e 
  Rugendas ::::::::::::::::: 112
Retratos das famlias no 
  Brasil ::::::::::::::::::: 117
Bons frutos :::::::::::::::: 120
Para saber mais :::::::::::: 122
5- Registro, logo 
  existo! ::::::::::::::::::: 123
Cadeira de balano: A 
  histria do meu povo 
  tambm  a sua histria ::: 123
Rota de viagem ::::::::::::: 126
Refletindo e produzindo 
  com Taguat-Mirim ::::::: 129
Fontes do tempo :::::::::::: 131
A lngua  minha ptria :::: 133
Para saber mais :::::::::::: 138
<F+>

<66>
<Thist. paratodos 1a.>
<T+77>
(Continuao da Unidade 2)

3- Famlias

Cadeira de balano:

Famlia, pra que te quero!

  Maria Eduarda se interessa por todas as coisas da cidade onde vive. Ela adora o bairro onde mora, Boa Viagem, localizado  beira-mar e rodeado de prdios bonitos, alguns at decorados com as cermicas e esculturas de Francisco Brennand.
  Os pais de Duda so professores. Quando ela precisa de alguma informao, eles indicam livros ou ajudam a menina a fazer pesquisas na Internet. Foi em um dos livros indicados pelos pais que ela encontrou a informao de que o nome da sua cidade veio da palavra "arrecifes".
  Mas, hoje, a pequena Duda no est interessada em descobrir mais coisas sobre a cidade onde mora. Ela est ansiosa com o Dia das Mes que se aproxima.
  Chegou  escola e foi logo perguntando para a professora Teresa:
<67>
  -- Teresa, o que faremos para comemorar o Dia das Mes? Eu estou preocupada, no sei o que vou dar  minha me. No sei se compro outra pea de artesanato para a coleo dela ou um livro. E aqui na escola, o que vamos fazer para comemorar o Dia das Mes?
  Enquanto Duda falava, as outras crianas se animaram e comearam a pensar no presente do Dia das Mes. S Bianca estava triste, amuada, quietinha no seu canto.
  A professora Teresa estranhou e perguntou a Bianca:
  -- Por que voc est to triste, Bianca?
  -- Nada no, Teresa.
  A professora no se convenceu, mas antes que falasse alguma coisa Duda disse:
  -- Fala, Bianca. Por que voc est to triste?
  Bianca e Duda se tornaram amigas desde o primeiro dia de aula. Duda gostava muito de Bianca e no queria v-la triste. Bianca resolveu falar:
  -- Sabe o que , Teresa?  que eu no tenho pra quem dar presente no Dia das Mes. Eu no conheci a minha me. Moro com o meu pai e a minha av...
  De repente, Bianca parou de falar e comeou a chorar. Todas as crianas se calaram.
  Em outro lugar do Brasil, em Porto Alegre, uma criana tambm est triste.  o Tico, que acordou com muita saudade do irmo. Tanta saudade, que at sente um aperto em seu peito.
<68>
  Tico raramente chora, pois foi obrigado a tornar-se forte para sobreviver nas ruas. Fica acordado nas madrugadas, porque precisa estar sempre alerta.
  Ele no vai  escola, no sabe ler nem escrever. Toma banho nos chafarizes da cidade e come quando consegue arranjar algum trocado com os motoristas dos carros que guarda ou com os donos dos sapatos que engraxa nas ruas de Porto 
 Alegre.
  O menino de apenas onze anos vive h trs nas ruas. Tico no sabe quem  seu pai e perdeu a me quando era bem pequeno. O Dia das Mes para ele no significa muita coisa, assim como o Dia das Crianas, o Natal e o seu aniversrio. Qualquer data comemorativa no faz muito sentido para o garoto.
  Em Recife, a professora Teresa percebeu o silncio da sala e viu que Bianca chorava. Aproximou-se da menina, parou na frente dela, abaixou-se e abraou-a.
  Em Porto Alegre, as lgrimas do Tico lavavam seu rosto, sua dor. A saudade que sentia de seu nico irmo, Joaquim, era do tamanho da fome que roa o seu estmago. Mas no havia ningum para abra-lo, nenhuma pessoa que passava ofereceu ajuda ao pequeno Tico.

<69>
Rota de viagem

<R+>
_`[Foto: uma avenida  beira-mar, com edifcios, e a praia_`]
 Legenda: Recife  uma cidade muito antiga. Ela foi fundada pelos portugueses em 1537.
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 1. Voc conhece Recife? Sua cidade  parecida com a descrio da fotografia de Recife?

 _`[Foto da Praia de Boa Viagem, em Recife, mostrando o mar e os rochedos_`]
 Legenda: Os rochedos da foto formam uma muralha natural, de pedras de coral e arenito, que protege as praias da cidade de Recife das fortes ondas do mar.

2. Voc sabe como so chamados os rochedos que aparecem na foto? *Uma dica para descobrir*: a capital de Pernambuco tem o mesmo nome.
<R->

<70>
<R+>
_`[Escultura da cabea de dois pssaros, com as iniciais F B, de Francisco Brennand, impressas na base_`]
 Legenda: Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu em Recife, em 1927. Ele  um artista muito premiado. Alm de escultor, Francisco Brennand, como  mais conhecido,  pintor e ceramista. Suas obras so admiradas no Brasil e em outros pases.
<R->

<R+>
  Responda oralmente: 
 3. Voc j conhecia alguma obra desse artista? 
 4. Voc gostou dessa escultura? 
<P>
 5. Observe a descrio das esculturas dessa foto e compare-as com a da foto anterior. Voc acha que essas esculturas so do mesmo artista da primeira foto? Por qu?
 _`[Algumas esculturas de cabeas de pssaros_`]
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<71>
<R+>
_`[Foto de Porto Alegre, com o rio Guaba, edifcios e muita vegetao_`]
 Legenda: Porto Alegre  a capital do Rio Grande do Sul.
  A bebida tradicional do gacho  o chimarro.
<R->
<P>
<R+>
  Responda oralmente: 
 6. Voc conhece Porto Alegre? Sua cidade  parecida com essa capital? 
 7. Voc sabe do que  feito o chimarro? 
 8. E de quem os gachos herdaram o hbito de tomar chimarro?
<R->

<72>
Refletindo e produzindo com 
  Eduarda, Bianca e Tico

  Todos ns vivemos momentos de tristezas e de alegrias. Isso acontece porque somos capazes de sentir dor, raiva, afeto, carinho, saudade, prazer. Mas o mais importante  poder dividir nossos sentimentos com as pessoas que amamos e em quem confiamos.

<R+>
  Responda oralmente:
 1. A tristeza e a alegria acompanham o ser humano durante toda a vida. Bianca tem motivos para estar triste. Se voc fosse amigo dela, o que faria para ajud-la? 
 2. Voc se lembra de algum momento em que se sentiu to triste quanto Bianca? Se quiser, escreva sobre esse momento, e fale por que se sentiu to triste. 
 3. E quanto a um momento de grande alegria, voc se lembra de algum? Voc se lembra de alguma situao em que tenha vivido a sua maior alegria at hoje? Escreva sobre isso e relate o que provocou essa alegria. 
 4. Tico  um garoto que vive nas ruas. Ele tem uma vida extremamente difcil para qualquer pessoa, principalmente para uma criana de apenas onze anos, pois est s e desamparado. Voc j se sentiu to s e desamparado como o Tico? Se quiser, escreva sobre isso e relate o motivo de se sentir assim.
<R->

<73>
<P>
<R+>
_`[Quatro fotos, de 2003: 
  1 -- um dormitrio infantil, com camas e beliches, em So Paulo (SP);
  2 -- um casal idoso com um menino, em Curitiba (PR);
  3 -- um homem e uma menina, tomando o caf da manh, em Cuiab (MT);
  4 -- uma mulher passeando com uma menina, em Belo Horizonte (MG)_`]
<R->

  As fotos acima representam vrias formas de agrupamentos familiares no Brasil da atualidade. Quando os pais so separados, os filhos podem morar s com a me ou apenas com o pai. Algumas crianas moram com os avs, outras com os tios ou com amigos. H ainda crianas que no contam com a ajuda de nenhum parente e vivem em orfanatos, sob os cuidados de pessoas que trabalham nesses lugares. H tambm crianas e adolescentes 
<P>
completamente abandonados que 
vivem nas ruas.

<74>
Direitos da criana e da famlia

  Seja qual for a forma como se constituem as famlias, todas so fundamentais para garantir carinho, proteo, afeto, segurana, alimentao e educao, entre outras coisas de que as crianas necessitam para desenvolver todas as suas capacidades.

<R+>
  Responda oralmente:
 1. Voc acha que seria difcil viver sem os cuidados dos adultos que moram com voc? 
<P>
  Responda por escrito:
 2. Anote alguns desses cuidados que os adultos lhe dispensam e que voc considera importantes para o seu crescimento e desenvolvimento. H muitas crianas, principalmente nos grandes centros urbanos, que no contam com nenhuma proteo ou ajuda de adultos. So as crianas que vivem nas ruas como o Tico.
 3. Voc conhece ou j viu alguma criana que vive nas ruas? Por que ser que elas vivem nessa situao? Quem voc acha que deveria se responsabilizar por essas crianas? 
<R->

<75>
  Em nosso pas existem leis para garantir proteo s crianas que no tm parentes ou outros adultos responsveis por elas. Nesses casos, so as autoridades que devem proteg-las.
<P>
<R+>
<F->
4. Acompanhe atentamente seu (sua) professor(a) na leitura a seguir.
1) Todas as crianas tm os mesmos direitos, independentemente da cor da pele, do formato dos olhos, do tipo de cabelo, sejam elas meninos ou meninas. No importa a lngua ou a religio de cada uma.
2) Todas as crianas devem ser protegidas e bem tratadas.
3) As crianas tm direito a um nome e a uma nacionalidade.
4) Todas as crianas tm de receber assistncia mdica e cuidados especiais, como alimentao, moradia e lazer.
5) As crianas portadoras de deficincia fsica ou mental tm de receber educao e cuidados especiais.
6) Todas as crianas devem ser amadas e compreendidas. Elas devem receber cuidados e proteo de seus familiares. Quando 
<P>
  no tiverem famlia, a sociedade e as autoridades devem proteg-las.
7) Todas as crianas tm o direito de receber educao escolar, de brincar e se divertir.
8) As crianas devem ser as primeiras a receber proteo e ajuda em situaes de perigo.
9) Todas as crianas tm de ser protegidas contra o abandono, a crueldade e a explorao. Elas no devem trabalhar antes de uma idade mnima.
10) Todas as crianas devem ser educadas sem preconceitos e crescer em um ambiente de compreenso, respeito, amizade, paz e fraternidade para que se tornem cidados solidrios.

Adaptado da Declarao dos 
  Direitos da Criana, proclamada em 20 de novembro de 1959 pela Assemblia Geral das 
  Naes Unidas.
<F+>
<R->
<P>
<F->
!::::::::::::::::::::::::::::::::
l  A Declarao dos Direitos  _
l  da Criana e o Estatuto da  _
l  Criana e do Adolescente    _
l  fazem parte de uma srie de   _
l  leis para proteger as         _
l  crianas.                     _
h::::::::::::::::::::::::::::::::j
<F+>

<76>
<R+>
  Responda oralmente:
 5. O que voc achou dos direitos, garantidos s crianas, que voc acabou de ouvir?
<R->

<R+>
<F->
  Responda por escrito: 
6. Voc acha que nesse documento esto escritos todos os direitos de que uma criana necessita? Falta algum? Qual?

7. No seu caso, voc acha que conta com todos os direitos colocados nesse documento? H algum que voc acha que no est sendo cumprido?
<P>
8. Agora pense nas crianas que vivem nas ruas como o Tico. Releia a Declarao dos Direitos da Criana na pgina 89  90 e destaque aqueles que voc acha que esto sendo respeitados no caso delas. Depois, responda:
a) Quantos direitos da Declarao voc conseguiu marcar?
b) A que concluso voc chegou?

  Responda oralmente:
9. Se as leis fossem respeitadas integralmente em nosso pas, no haveria nenhuma criana vivendo nas ruas, sem cuidados e proteo. Na sua opinio, por que as leis de proteo  criana no so cumpridas?
<F+>
<R->

<77>
Lugar de criana?

<R+>
_`[Foto 1: menino trabalhando em uma carvoaria_`] 
 Legenda: gua Clara (MS), 1995.
  
_`[Foto 2: grupo de meninos num depsito de sisal_`]
 Legenda: Campos (RJ), 1995.

  Responda oralmente: 
 1. Observe atentamente as fotos e responda:
 a) O que voc acha que essas crianas esto fazendo?
 b) Voc acha que essas atividades so adequadas para uma criana? Por qu?

2. Na sua opinio, quais os lugares mais adequados para crianas?
<R->

  Muitas famlias, no Brasil e no mundo, no tm recursos para cuidar de seus filhos. Apesar de as leis do nosso pas proibirem o trabalho infantil, em algumas regies do Brasil a pobreza  tanta que as crianas so obrigadas a trabalhar para ajudar seus pais. Na maioria das vezes, essas crianas no conseguem estudar, pois no tm tempo nem disposio para ir  escola.

<78>
<R+>
<F->
3. Ser que voc conhece a cano abaixo? Acompanhe a leitura do(a) seu (sua) professor(a).

Criana no trabalha
  Paulo Tatit e Arnaldo Antunes

Lpis, caderno, chiclete, pio
Sol, bicicleta, *skate*, calo
Esconderijo, avio, correria, tambor, gritaria, jardim, confuso

Bola, pelcia, merenda, *crayon*
Banho de rio, banho de mar, pula-sela, bombom
Tanque de areia, gnomo, sereia, pirata, baleia, manteiga no po
<P>
 
Giz, mertiolate, *band-aid*, sabo
Tnis, cadaro, almofada, colcho
Quebra-cabea, boneca, peteca, boto, pega-pega, papel, papelo

Criana no trabalha
Criana d trabalho
Criana no trabalha

Lpis, caderno, chiclete, pio
Sol, bicicleta, *skate*, calo
Esconderijo, avio, correria, tambor, gritaria, jardim, confuso

<79>
Bola, pelcia, merenda, *crayon*
Banho de rio, banho de mar, pula-sela, bombom
Tanque de areia, gnomo, sereia, pirata, baleia, manteiga no po

Criana no trabalha
Criana d trabalho
Criana no trabalha
<P>
 
Giz, mertiolate, *band-aid*, sabo
Tnis, cadaro, almofada, colcho
Quebra-cabea, boneca, peteca, boto, pega-pega, papel, papelo

Criana no trabalha
Criana d trabalho
Criana no trabalha
1, 2 feijo com arroz
3, 4 feijo no prato
5, 6 tudo outra vez

Esta cano faz parte do CD *Canes curiosas*, produzido por Paulo Tatit e Sandra 
  Peres. So Paulo: Palavra Cantada/Eldorado, 1998.
<F+>
<R->

<80>
<R+>
<F->
  Responda oralmente:
4. Voc gostou da cano? 

  Responda por escrito: 
5. Na letra da cano aparecem nomes de brinquedos e brincadeiras. De quais desses brinquedos e brincadeiras voc mais gosta?
6. Que mensagem os compositores quiseram passar nos versos "Criana no trabalha, Criana d trabalho"?
7. Os compositores acham que criana deve trabalhar? O que eles acham que criana deve fazer?

8. E voc, o que acha que criana deve fazer?

Para saber mais

*Eu vi mame nascer*, de Luiz Fernando Emediato. So Paulo: Gerao Editorial, 2001.
*Serafina e a criana que trabalha*, de J Azevedo, Iolanda Huzak e Cristina Porto. So Paulo: tica, 2003.
<F+>
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<81>
<P>
4- Famlias ao longo do tempo 

Cadeira de balano:

Um Dia das Mes diferente

  No dia seguinte, a professora Teresa entrou na classe, cumprimentou seus alunos e informou que o tema de sua aula seria a histria das famlias.
  As crianas se lembraram da tristeza de Bianca e mostraram muito interesse pelo assunto. Mas Eduarda, muito surpresa, perguntou:
  -- U, Teresa, as famlias tm histria? No foi sempre pai, me e filhos? Os pais tm os filhos, cuidam deles, os filhos crescem, se casam e formam outras famlias!
  -- No, Duda, nem sempre. E mesmo hoje em dia existem diferentes tipos de famlia. A da Bianca, por exemplo,  composta por ela, o pai e a av.
  E, voltando-se para a classe, Teresa perguntou:
  -- Turminha, vocs sabiam que entre os povos romanos, no tempo em que Jesus nasceu, h mais de dois mil anos, a criana s era reconhecida como filho se, ao nascer, o chefe da famlia a erguesse nos braos?
<82>
  E continuou falando:
  -- Por outro lado, a adoo de crianas era uma coisa muito comum entre os mesmos romanos. Mais tarde, em alguns reinos do continente europeu, no tempo dos cavaleiros medievais, era comum que os meninos que se tornariam cavaleiros quase sempre fossem educados longe de seus pais. 
  -- Nossa, Teresa, por que separar os filhos dos pais? -- interrompeu Duda. 
  -- Pois , Duda, mas os pais dos aprendizes de cavaleiros acreditavam que assim eles seriam mais fortes, mais corajosos, mais destemidos e que, se fossem educados perto deles, poderiam ficar manhosos. Nesse tempo, a valentia dos guerreiros era muito valorizada. s vezes, um senhor feudal, que era uma espcie de manda-chuva local, tinha mais considerao por um jovem valente do que pelo prprio filho. Quando isso acontecia, o jovem era adotado por esse senhor. No castelo que pertencia ao senhor feudal moravam muitas pessoas. Em alguns castelos viviam cerca de 300 pessoas. 
  -- Nossa! Tudo parente do tal do senhor feudal? -- perguntou Moacir, muito admirado. 
<83>
  -- No, Moa, no eram s parentes de sangue, ou seja, pais, filhos, primos, tios e avs maternos e paternos. Muitos eram serviais do castelo, alguns eram jovens adotados e, outros, pessoas de confiana do senhor. Para o senhor feudal era importante ter muita gente que dependia dele e que fosse leal, muito fiel a ele. Afinal ele era o dono das terras e precisava de pessoas para plantar e para cuidar da defesa de suas terras. Assim, mandava e desmandava e controlava a vida de todas as pessoas que viviam nelas. 
  E a professora Teresa continuou:
  -- Entre os nossos inmeros povos indgenas, a organizao da famlia tambm era e  bastante diferente. Para alguns, por exemplo, os tios, sejam irmos da me ou do pai, so considerados como pais. Mas uma coisa que todos os povos tm em comum  que nessas sociedades todo adulto  responsvel pelas crianas que vivem na aldeia, mesmo que no sejam parentes de sangue. 
  Nesse momento, Bianca levantou a mozinha e disse:
  -- Ento as crianas indgenas so muito amadas por eles, n, Teresa?
<84>
  -- So sim, Bianca. Os adultos que no so indgenas tm muito a aprender com os povos indgenas. O respeito s crianas entre esses povos  muito grande, o que  importante para que elas cresam fortes, saudveis e aprendam a ser solidrias tambm. Bom, gente, eu trouxe umas imagens para observarmos e discutirmos mais sobre como a organizao das famlias na histria no foi sempre a mesma. Mas, antes disso, queria fazer uma proposta. 
  -- Que proposta, Teresa? -- perguntou Duda, bastante interessada. 
  --  a seguinte, crianas: que tal se ns transformssemos o Dia das Mes no Dia da Famlia e fizssemos um lanche coletivo para comemorar? Cada um pode trazer qualquer pessoa da famlia para a nossa festa. E tem mais: vamos preparar um lindo porta-retrato para dar de presente s pessoas que amamos, para que elas possam colocar a melhor foto que a famlia tem!
  Todos adoraram a idia e comearam a pensar nos preparativos. Bianca abriu um lindo sorriso e disse:
<P>
  -- Vou fazer um porta-retrato especial! To especial quanto o amor que tenho por minha av e que recebo dela e do meu pai todos os dias. 

<85>
Rota de viagem

<R+>
_`[Foto 1: Recife e as pontes sobre o rio_`]
 Legenda: H mais de 450 anos, Recife foi erguida na foz dos rios Capibaribe e Beberibe. A capital do estado de Pernambuco tem um carinhoso apelido. Voc sabe que apelido  esse? Recife  conhecida como Veneza Americana ou Veneza Brasileira. 
<R->

<R+>
_`[Foto 2: Veneza, na Itlia, com os prdios, os canais e os barcos_`]
 Legenda: Veneza  uma cidade italiana muito antiga, recortada por canais e pontes. 
<P>
  Responda oralmente:
 1. Compare a descrio das fotos de Recife e de Veneza e responda:
 a) Voc acha que as duas cidades so parecidas? Que semelhanas voc consegue notar entre as duas?
 b) H diferenas? Quais?
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<86>
Refletindo e produzindo com 
  Eduarda e Bianca

Famlias de hoje

  A histria que voc ouviu relata um pouco sobre famlias de antigamente e de hoje. Tanto no passado como atualmente h diferenas na forma de organizao das famlias. E, possivelmente, no futuro, as famlias tero outros arranjos. 
  Nos dias de hoje, no Brasil, as famlias podem ser formadas por um casal sem filhos ou um casal e seus filhos. Podem ser formadas por me e filhos, por pai e filhos ou, ainda, por essas combinaes com mais parentes ou agregados. A famlia de Duda, por exemplo,  formada por ela, pelo pai e pela me. J a famlia de Bianca  formada por ela, pelo pai e a av. 
<87>
  Voc se lembra das personagens Marina e Bete que apresentamos no incio do livro?
  Observe com ateno como so formadas as famlias delas:
  Na casa de Marina moram ela e a me. Como os pais dela no se casaram, Marina vive com a me desde que nasceu e seu pai se casou com outra pessoa e eles tiveram uma filha. Marina gosta muito de seu pai, da esposa dele e de sua irmzinha. Seu pai a visita toda semana e, s vezes, ela vai dormir na casa dele ou viaja com ele. Marina tambm adora a av paterna e os irmos de seu pai, Ricardo e Ana, que so os seus padrinhos. 
  Bete vive com o av. A av dela morreu antes do seu nascimento e a me de Bete foi morar no exterior h cinco anos. Bete se corresponde com a me por cartas e sente muita saudade dela. A pequena Bete adora o av.  ele que a leva para a escola e a ajuda nas tarefas escolares. Quando Bete tem um problema, a primeira pessoa a quem procura e pede ajuda  o seu av. 

<88>
<R+>
1. E a sua famlia, como ? Escreva os nomes de todas as pessoas da sua famlia. Depois, escreva ao lado deles o grau de parentesco de cada uma em relao a voc. 
<P>
  Responda oralmente:
 Agora, forme um grupo com alguns colegas de classe e mostre a eles o seu trabalho. Fale um pouco sobre cada pessoa da sua famlia. Informe quais trabalham, onde trabalham e que trabalho realizam. Diga tambm de que maneira elas se divertem, como so e como vivem. 

  Responda por escrito:
 2. Todas as pessoas que voc desenhou moram com voc, na mesma casa?
<R->

<89>
Famlias na histria

  A professora Teresa explicou para a classe de Duda e Bianca que a maneira de as famlias se organizarem no foi sempre a mesma na histria. Que o nmero de pessoas que viviam em uma mesma casa, o modo de educar os filhos, o relacionamento entre pais e filhos tambm variavam, variam e possivelmente se transformaro no futuro. 
  Essas informaes nos mostram que existem e existiram muitos e diferentes tipos de famlia na histria e que as maneiras de seus membros se relacionarem e conviverem tambm so e eram diversas. A professora Teresa at trouxe 
 algumas imagens para seus alunos observarem diferentes tipos de famlia do Brasil de antigamente. Vamos conhecer algumas dessas imagens?

<R+>
_`[Duas meninas, duas mulheres e escravos descalos formam uma fila atrs de um homem_`]
 Legenda: *Um funcionrio a passeio com sua famlia*, do artista francs Jean Baptiste Debret, que esteve no Brasil entre 1816 e 1831. Segundo Debret, essa ilustrao retrata uma famlia rica, residente na cidade do Rio de Janeiro na poca em que ele esteve no nosso pas.
<R->
<R+>
  Responda oralmente:
 1. Voc reparou que todas as pessoas retratadas nessa imagem esto andando em fila? Por que ser que fazem isso? 
<90>
 2. Quem voc acha que  a primeira pessoa da fila? E as pessoas que seguem atrs?
 3. Como se vestem as pessoas retratadas na imagem? H semelhanas e diferenas entre elas? Quais?
 4. Ser que todas as pessoas da fila fazem parte da mesma famlia?
<R->

<R+>
_`[Quadro mostrando uma palhoa e um grupo de negros: uns dormem, outros conversam, outros tecem uma esteira, e uma mulher acende o cachimbo de um homem_`]
 Legenda: *Habitao de negros*, do artista alemo Johann 
  Moritz Rugendas, que esteve no Brasil entre 1822 e 1825. 
<R->
<P>
<R+>
  Responda oralmente: 
 5. Observe atentamente essa imagem. Apesar de o ttulo ser *Habitao de negros*, h outras coisas presentes na cena, alm da casa dos negros, que podem nos fornecer informaes sobre a poca em que a imagem foi pintada. Relate o que voc percebe retratado nessa imagem. 
 6. Na sua opinio, quem so as pessoas que esto na frente da casa? O que elas esto fazendo?
<R->

<91>
  Muitos povos foram trazidos foradamente de vrios lugares da frica para diversos lugares da Amrica. No nosso continente, essas pessoas foram escravizadas e submetidas s ordens de seus donos, que podiam emprest-las, alug-las, vend-las, do-las, pass-las por herana. Nem sempre esses donos se preocupavam em manter as famlias de seus escravos unidas quando os vendiam, por exemplo. Esses momentos eram muito difceis para as pessoas escravizadas, pois se viam ameaadas de serem separadas de seus familiares e pessoas queridas. 

<R+>
  Responda oralmente: 
 7. Se voc vivesse no Brasil do tempo em que Rugendas fez essa ilustrao, e fosse dono de escravos, se preocuparia em manter uma famlia de escravos unida? Caso tivesse essa preocupao, o que faria para no separar os membros de uma mesma famlia?
 8. E se voc fosse um escravo ou uma escrava, como se sentiria ao ser separado ou separada de seus familiares?
 9. Voc acha que os escravos podiam fazer alguma coisa para evitar que fossem separados de seus familiares? De que maneira?
<R->
<P>
Os olhares dos viajantes
  estrangeiros para a nossa 
  Terra: Debret e Rugendas

  Neste captulo, voc conheceu duas obras de artistas estrangeiros: uma de Jean Baptiste Debret e outra de Johann Moritz Rugendas. 

<92>
  Responda oralmente:
<R+>
1. Releia as legendas das imagens produzidas por Debret e Rugendas que aparecem nas pginas 108 e 109 e tente responder:
 De que pases esses artistas vieram? Quando eles estiveram no Brasil?
<R->

  Esses e muitos outros estrangeiros visitaram as nossas terras e registraram paisagens, pessoas, costumes, festas, objetos, cenas de trabalho e tudo o que viam pela frente e lhes chamava a ateno. Hoje, esses registros, sob a forma de textos e ilustraes, nos servem como fontes e documentos para conhecermos um pouco mais a histria da nossa terra e do nosso povo. 
  Mas, quando examinamos as pinturas, os desenhos e os textos que esses estrangeiros produziram, temos de tomar alguns cuidados. 
  Precisamos considerar, em primeiro lugar, que alguns artistas produziram suas obras a partir de depoimentos de outras pessoas, pois algumas vezes no visitaram pessoalmente os lugares retratados ou tiveram pouco contato com as pessoas que retrataram. 
  Depois, temos de considerar que qualquer texto, pintura, desenho e at mesmo fotografia, de qualquer poca, sempre representam uma entre muitas maneiras de ver a realidade. Voc quer comprovar isso? Ento, faa as atividades a seguir. 

<93>
<P>
<R+>
2. Voc vai precisar de duas folhas de papel: uma para descrever como voc  e outra para descrever um amigo ou uma amiga de classe. 
 a) Faa uma descrio sua em uma das folhas de papel (escreva como  o seu corpo, o seu rosto, as suas roupas etc.). 
 b) Depois, pea a dois amigos de classe, uma menina e um menino, que descrevam, em folhas separadas, como voc . Enquanto isso, voc tambm vai fazer a descrio de um amigo ou de uma amiga de classe. 

   Responda oralmente:
 c) Junte as trs folhas com descries de voc e compare-as. Elas so iguais ou diferentes? Por qu?
 d) E quanto  descrio que voc fez do seu amigo ou da sua amiga: ela  igual  descrio que ele/ela fez de si prprio?
<P>
3. Agora, observe a descrio de duas fotos de um mesmo lugar, tiradas por pessoas diferentes. 

Sambdromo do Rio de Janeiro 

 _`[Sambdromo do Rio de Janeiro: Praa da Apoteose, fotografada de lados diferentes, de dia e  noite_`]
 Legendas: Fotografado por C. Duvivier em 1999 _`[{dia_`]; Fotografado por L. Fochetto em 1999 _`[{noite_`].
<R->

<R+>
 Voc reparou como um mesmo lugar pode ser visto de maneiras diferentes?
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 4. O que voc aprendeu depois de realizar as atividades acima?
<R->

<94>
  As atividades que voc acabou de fazer nos ensinam que devemos ler e interpretar com cuidado os textos e as imagens feitos pelos viajantes, ou por qualquer outro sujeito da histria. Precisamos considerar que esses textos e imagens trazem o jeito de olhar dessas pessoas e que esse olhar  influenciado pela poca em que viveram. 
  Devemos ter claro, portanto, que as informaes que buscamos para compreender uma poca no so encontradas facilmente nas fontes que usamos em nossas pesquisas. Elas precisam ser decifradas por ns. 
  Precisamos ter em mente que uma parte da histria est de fato nesses textos e ilustraes, mas eles tambm trazem a maneira de enxergar o mundo das pessoas que os produziram. Dessa forma, para conhecer parte da histria, a partir dessas fontes, temos de saber fazer boas perguntas a elas. 
<P>
<R+>
5. Observe novamente a descrio da reproduo da obra de Rugendas na pgina 109. Essa ilustrao no informa apenas como eram as casas onde os escravos negros moravam, no  mesmo? 
  Imagine que voc  um(a) pequeno(a) historiador(a) e quer descobrir um pouco sobre a vida dos escravos da poca em que Rugendas esteve no nosso pas. Que perguntas voc faria ao examinar a ilustrao de Rugendas?
<R->

Retratos das famlias no Brasil

  Agora voc vai ser um(a) historiador(a)-mirim e vai contar parte da histria da sua famlia. Pense:
<R+>
 Como voc vai agir para contar essa histria?
 O que voc vai fazer?
 Como voc acha que podemos saber mais sobre a histria de nossa famlia?
<R->

<95>
  Se conversarmos com nossos avs, pais e tios, ou seja, com as pessoas mais velhas da famlia, poderemos recolher alguns depoimentos. Poderemos, ainda, examinar fotos, objetos antigos, documentos escritos, como cartas trocadas entre parentes ou entre amigos, ou documentos que identificam as pessoas, como certido de batismo, de nascimento, de casamento etc. Ao examinar esses documentos, fazendo boas perguntas a eles, estaremos construindo uma parte da histria das famlias no Brasil. Vamos experimentar?

<R+>
1. Traga para a sala de aula fotografias de sua famlia. Quanto mais antigas forem, melhor. Mas, antes, pergunte a seus pais ou responsveis quem so as pessoas das fotos, quando foram tiradas e que momento elas retratam. Com muito cuidado, coloque a lpis um nmero diferente atrs de cada foto para identific-la. Depois, registre seguindo o modelo abaixo, as informaes que voc conseguiu de cada uma. 
 Foto 1 
  Quem est na foto: '''''
  Data em que foi tirada: '''''
  O que ela retrata: '''''
<R->

<96>
<R+>
2. Se voc trouxe algum objeto, identifique-o:
 Nome do objeto: '''''
 Para que serve: '''''
 A quem pertenceu: '''''
 Data em que ele comeou a pertencer  famlia: '''''

3. Se voc trouxe cpia de algum documento escrito, identifique-o:
 Tipo de documento: '''''
  (Identifique se  uma carta, uma certido de casamento, de batismo ou de nascimento.)
 Para que serve: '''''
 A quem pertenceu: '''''
 Data em que ele comeou a per-
  tencer  famlia: '''''
<R->

  Agora, conte para seus colegas tudo o que voc conseguiu descobrir sobre a histria da sua famlia a partir das fotos ou das cpias dos documentos escritos ou dos objetos que voc trouxe. 

<97>
Bons frutos

<R+>
<F->
1. Complete a rvore, adaptada, com a ajuda de seus familiares ou responsveis, escrevendo o nome das pessoas. 
Seus irmos: .....
Voc: .....
Suas irms: .....
Pai: .....
  Av paterno: .....
  Av paterna: .....
  Bisav paterno: .....
  Bisav paterna: .....
Me: .....
  Av materno: .....
  Av materna: .....
  Bisav materno: .....
  Bisav materna: ..... 
<F+>
<R->

<98>
<P>
  A rvore da sua famlia, que voc montou  chamada de rvore genealgica. Ela permite conhecer os antepassados de uma pessoa. 
  Na rvore que voc completou, esto os seus antepassados. Voc construiu uma rvore que mostra as suas origens. Quanto mais conseguirmos recuar no tempo, maior ser o conhecimento sobre nossos antepassados. 
  Que tal montar, com a ajuda de seu (sua) professor(a), uma exposio com as fotos, as cpias dos documentos e os objetos das famlias da sua classe? Se voc quiser, poder reconstruir a rvore da sua famlia em uma folha de papel e coloc-la na exposio tambm. Escolha com seus amigos de classe um ttulo para essa exposio. 
  Ah! E no se esquea de fazer alguns convites e de distribulos a seus familiares para que eles vejam a exposio. 
  Alm disso, tome muito cuidado para no danificar nem perder as fotos, documentos e objetos que voc trouxer para essa exposio. Eles so registros de sua histria e devem ser guardados e manuseados com muito cuidado. 

Para saber mais

<R+>
*A histria de cada um*, de 
  Juciara Rodrigues e Maringela Haddad. So Paulo: 
  Scipione, 1996. 
 *Jean Baptiste Debret*, de Douglas Tufano. So Paulo: Moderna, 2000. 
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<99>
<P>
5- Registro, logo existo!

Cadeira de balano:

A histria do meu povo tambm
   a sua histria

  Sou um Guarani-Mby. "Guarani" significa "guerreiro, lutador" e "Mby" quer dizer "gente".
  Quando, em 1500, os portugueses chegaram a nossas terras, que hoje formam o Brasil, passaram a chamar o meu povo, os Guarani, e todos os povos que moravam aqui de ndios. Mas ns no nos chamamos assim. No idioma do meu povo nos chamamos de "nhande va'e", que em portugus significa ser humano. Na minha lngua, o nome de todas as coisas e das pessoas tem significado. Por exemplo: meu pai quer que eu seja veloz, enxergue e oua bem, que eu conhea a direo dos ventos e reconhea os cheiros da terra. Meu pai deseja que eu seja um bom caador e pescador, que eu mantenha a tradio do meu povo. Ento, me deu o nome de Taguat-Mirim, que significa "gavio pequeno". Esse pssaro  veloz, v longe e  certeiro em seus movimentos.
<100>
  Dar nomes cheios de significados s crianas  um costume bem antigo, que a gente tinha antes de os portugueses chegarem a nossas terras. Hoje, muitos de ns tm nomes cristos, como Maria, Jos, Daniel, Lucas, Lurdes. Mas, alm dos nomes cristos, temos tambm nosso nome indgena.
  Quem no  ndio carrega junto ao prprio nome o nome da famlia do pai e, s vezes, o da famlia da me. Mas ns carregamos o nome do nosso povo junto ao nosso nome. O povo Temb, por exemplo, que vive no Par, usa o nome Temb como sobrenome: Muruiru Temb  o chefe da aldeia e seus filhos se chamam Srgio Temb, Cntia Temb e Celina Temb. Na escola da aldeia dos Temb, as crianas aprendem a lngua portuguesa e a lngua Temb.
  Na minha aldeia, aqui em Sapukai, tambm  assim.
  Eu me esforo pra aprender todas as tcnicas e me tornar um bom caador. Mas tambm estudo muito pra aprender tudo o que posso sobre o meu povo e ouo as histrias das pessoas mais velhas. 
 Alm disso, vou  escola da minha aldeia, onde aprendo a escrever na minha lngua e em portugus.
<101>
  Antes de existirem as escolas nas aldeias, eram os velhos que guardavam todo o mistrio da vida. Eles ensinavam como plantar, como curar as doenas, fazer chuva, proteger-se do inimigo, pescar, caar, cantar nossos cnticos sagrados. Mas, principalmente, sabiam a histria dos deuses e dos nossos antepassados.
  Meu pai sempre diz que a memria  vida e que, para continuarmos vivos, temos de guardar nossos costumes. Ele diz tambm que quem no sabe quem foi ou de onde veio est perdido.
  Na minha aldeia, as crianas so bastante respeitadas, pois ns  que continuaremos os costumes do nosso povo, evitando o esquecimento e a morte de nossas tradies. Nossas mes, nossos pais, tios e avs cuidam de ns desde quando nascemos. Ns, crianas, costumamos fazer as coisas sempre juntas: brincar, comer, aprender e ajudar os adultos. As crianas mais velhas nos ensinam e tambm cuidam de ns, as menores. E, quando a gente crescer, ns  que cuidaremos das mais novas.

<102>
Rota de viagem

<R+>
  Responda oralmente: 
 1. Voc sabia que os povos europeus utilizaram caravelas para chegar at o nosso continente, a Amrica?
 2. Segundo Taguat-Mirim, quem comeou a chamar de ndios os habitantes das terras que hoje formam o Brasil?
<R->
<R+>
_`[Foto de um grupo de crianas indgenas cantando_`]
 Legenda: Crianas Xerente, pertencentes ao tronco lingstico J.
<R->

  Tupi, J, Caraba e Arauaque so troncos lingsticos atualmente conhecidos pelos especialistas que estudam as lnguas indgenas. Vocs sabem o que isso significa? Esses troncos so como os troncos de rvores cheias de galhos. S que os "galhos" de troncos lingsticos deram origem a muitas famlias de lnguas indgenas. No ano de 1500, quando os portugueses chegaram s terras que hoje correspondem ao Brasil, havia cerca de 900 povos indgenas, diferentes entre si, que falavam cerca de 1.300 lnguas. No se sabe ao certo o total da populao indgena que vivia prxima ao mar e no interior desse territrio, antes da chegada dos portugueses. Os estudiosos da histria indgena calculam entre 3 milhes e 10 milhes de ndios.

<R+>
  Responda oralmente:
 3. Voc sabe qual  o total da populao indgena que vive hoje no Brasil? 
<R->

<103>
<R+>
_`[Foto de Angra dos Reis mostrando o mar, barquinhos e a praia_`]
 Legenda: Angra dos Reis  uma belssima cidade do litoral do estado do Rio de Janeiro. L h 365 ilhas, uma para cada dia do ano!
<R->

  A palavra "angra" significa "enseada, porto pequeno".

<R+>
  Responda oralmente: 
 4. Voc conhece Angra dos Reis? A descrio da paisagem da foto acima  parecida com a cidade em que voc mora? 
 5. Voc sabe por que a cidade tem esse nome? 
<R->

<104>
  Os portugueses chegaram  regio que hoje corresponde  cidade de Angra dos Reis no ano de 1502. Hoje, nessa cidade, h uma aldeia Guarani chamada Tekoa Sapukai.

<R+>
  Responda oralmente: 
 6. Voc acha que j havia moradores nessa regio, quando os portugueses chegaram em 1502?
 7. Se voc fosse um dos moradores desse lugar naquela poca, como se sentiria se estranhos chegassem e dessem um nome diferente a ele?
<R->

Refletindo e produzindo com 
  Taguat-Mirim

  Taguat-Mirim tem orgulho do nome que lhe foi dado. Ele sabe por que recebeu esse nome e o que significa.
<P>
<R+>
  Responda oralmente: 
 1. Escolha, a seguir, o animal no qual o pai de Taguat-Mirim se inspirou para escolher o nome do filho.
 arara
 gavio
 papagaio
<R->

<105>
<R+>
2. Por que Taguat-Mirim recebeu esse nome? Voc gostou do significado do nome dele? Por qu?
 3. E quanto ao seu nome, voc j descobriu o significado dele? Voc j sabe por que lhe deram esse nome? 
 4. Escreva o seu nome e o significado dele. 

  Responda por escrito:
 5. Por que Taguat-Mirim acha importante ouvir as histrias das pessoas mais velhas da aldeia?
<P>
 6. E quanto a voc, tambm acha importante ouvir as histrias das pessoas mais velhas? Por qu? 
<R->

Fontes do tempo

  Os povos indgenas, primeiros habitantes do territrio que hoje  o Brasil, no conheciam a escrita e no deixaram nenhum papel escrito contando a histria deles e a dos lugares em que viviam.
  Para que hoje possamos conhecer parte dessa histria, temos de recorrer a diversos tipos de documentos ou fontes. Mas que fontes so essas?

<106>
<R+>
<F->
1. Considerando que os povos indgenas no deixaram documentos escritos, leia o poema abaixo com muita ateno e descubra que tipo de fontes podemos pesquisar para conhecer parte da histria desses povos.

Fontes da histria

Fonte de gua mata a sede de plantas,
de homem nordestino, de andarilho no deserto.
Mas a fonte do historiador  outra:
serve para matar a sede de saber
sobre uma poca em que no viveu,
para compreender o tempo em que vive.

O historiador  feito um dete-
  tive.
Investiga tudo o que a humanidade fez:
vaso, lenda, vestimenta, famlia,
casa, priso, escola, igreja,
um cocar, uma pintura, tristezas e alegrias
escritas num poema de amor.

O historiador quer esculpir uma poca,
descobrir segredos de lugares, pessoas,
<P>
recuperando memrias e histrias,
para entender o seu prprio tempo,
a sua prpria histria.

Poema escrito pela autora.

<107>
  Responda por escrito:
2. Segundo o poema, de que maneira o historiador age para investigar e descobrir a histria dos povos que no deixaram documentos escritos?
3. Muito bem! Agora voc  um(a) historiador(a)-mirim, como um detetive, e tem de descobrir a histria dos indgenas a partir das fontes de pesquisa que o poema sugere. A quais fontes voc recorreria?
<F+>
<R->

A lngua  minha ptria

  A aldeia Tekoa Sapukai fica distante do centro da cidade de Angra dos Reis. O povo de Taguat-Mirim lutou muito para conseguir a criao de uma escola na aldeia e para que suas crianas aprendessem a ler e a escrever tanto em Guarani-Mby, a lngua do seu povo, quanto na lngua portuguesa.

<R+>
  Responda por escrito:
 1. Por que  importante para Taguat-Mirim aprender a ler e a escrever em sua lngua?
 2. Voc lembra o que significa a palavra "Mby"? Procure na histria contada por Taguat-Mirim o significado dessa palavra e transcreva abaixo.

  Responda oralmente:
 3. Voc conhece outras palavras de origem indgena? Sabe o significado delas?
<R->

<108>
<R+>
  Responda por escrito:
 4. Na sua opinio, ao aprender a lngua portuguesa, Taguat-Mirim deixar de ser ndio? 
<P>
5. Observe a descrio da fotografia e a legenda que a acompanha:

 _`[Trs homens numa reunio. Um deles segura um microfone_`]
 Legenda: A pessoa que est segurando um microfone  Karai-
  -Mirim, da nao Guarani. Ele vive na aldeia Morro da Saudade, em Parelheiros, na cidade de So Paulo. Karai-Mirim  professor de histria.

a) Leia o depoimento de 
  Karai-Mirim a respeito do que  ser ndio:
<R->

  [...] "O ndio que fala bem o portugus sempre encontra aquele crtico que fala: 'ah,  mais branco do que eu' [...]
  No  pelo fato de algum aprender uma cultura oposta que ele vai deixar de ser ndio, seno 
<P>
o italiano deixaria de ser italiano por aprender a lngua francesa" [...]

<R+>
Trecho do depoimento de 
  Karai-Mirim, extrado do livro *Ptria amada esquartejada*, 
  p. 134-5. Coords. Julio 
  Assis Simes e Laura Antunes Maciel. So Paulo: Departamento do Patrimnio Histrico, 1992.

  Responda oralmente:
 b) O que voc achou do depoimento de Karai-Mirim? Voc concorda com ele? 
<R->

<109>
  Os atuais povos indgenas tm o direito de aprender a ler e a escrever a lngua de seu povo e a lngua portuguesa.
<P>
<R+>
_`[Foto de trs indgenas, usando cocares e colares. Um deles usa tambm um relgio no pulso_`]
 Legenda: Na foto aparecem trs Kayap. Um deles est lendo um dos projetos de Constituio do Brasil.

  Responda oralmente: 
 6. Voc j ouviu falar em Constituio? Voc sabe o que ela representa?
 7. Por que voc acha que um dos Kayap est examinando atentamente o projeto de Constituio?
<R->

  Para os povos indgenas que hoje habitam o Brasil, ler e escrever em lngua portuguesa  a garantia que eles tm de defender, no mnimo, seus direitos polticos, pois essa  a lngua em que so escritas as leis do nosso pas. Para esses povos, aprender a ler e a escrever na lngua de seu povo  uma questo de respeito  memria de seus antepassados. Os povos indgenas tm o direito de manter suas culturas por meio de registro escrito, tanto nas lnguas deles quanto na lngua portuguesa.

Para saber mais

<R+>
*Bakuru -- lendas indgenas brasileiras*. CD-ROM intera-
  tivo.
 *Coisas de ndio -- um guia de pesquisa*, de Daniel 
  Munduruku. So Paulo: Callis, 2000.
 *Dar Idz'uhu Watsu'u -- a histria da aldeia Abelhinha*, de Lucas Ruri' e Helena 
  Stilene de Biase. So Paulo: Master Book, 2000.
<R->

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Segunda Parte
